Imposto zero no violão e no microfone importados: o que muda para quem toca na igreja
O governo federal zerou a tarifa de importação de instrumentos de corda e sopro, que era de 18%, e microfones entraram na lista. Em Álvares Machado, boa parte desse consumo sai das igrejas e do bolso dos próprios músicos, que costumam ter o seu instrumento.
Entrou em vigor na quinta-feira (1º) a decisão do governo federal que zerou o imposto de importação para instrumentos musicais de corda e de sopro. Até então, esses produtos pagavam 18% para entrar no país.
Por que isso é notícia na nossa cidade
Pode parecer assunto de capital, de orquestra ou de loja grande de shopping. Não é.
Em Álvares Machado, boa parte dos instrumentos musicais que se compram não vai para bandas de garagem nem para estúdios: vai para dentro das igrejas. São os violões dos ministérios de louvor, os contrabaixos que acompanham as celebrações, as flautas dos grupos de jovens, os microfones dos corais que cantam nas missas de domingo.
São as comunidades religiosas, evangélicas e católicas, que sustentam grande parte desse consumo por aqui. E, quando a compra é da comunidade, o dinheiro não vem de empresa: vem de rifa, de bazar, de almoço beneficente, de vaquinha entre os membros. Cada por cento de imposto, nesse contexto, pesa.
E não é só a igreja que compra
Aqui vale abrir um parêntese importante, porque muita gente acha que esse assunto é só de diretoria de igreja.
Nos ministérios de louvor, principalmente nas igrejas evangélicas, o comum é cada músico ter o seu próprio instrumento. O violão é dele, o contrabaixo é dele, o cabo e às vezes até o microfone são dele. A comunidade entra com a estrutura, mas o instrumento que vai para o palco no domingo saiu do salário de quem toca, quase sempre parcelado.
É gente que trabalha a semana inteira em outra coisa e junta dinheiro durante meses para trocar um violão. Para essas pessoas, uma mudança de 18% na entrada do produto não é notícia de economia distante: é a diferença entre comprar este ano ou no ano que vem.
O mesmo vale para o estudante de música, para quem toca em casa e para quem está começando agora e ainda usa instrumento emprestado.
O que entrou na lista
A medida alcança instrumentos de corda e de sopro. Entre eles: violão, cavaquinho, violino, viola, violoncelo, contrabaixo e harpa, do lado das cordas; e trompete, trombone, tuba, trompa, bombardino, clarinete, flauta, gaita e acordeon, do lado dos sopros.
E tem um item que merece destaque para quem monta som nas igrejas: os microfones também entraram. É provavelmente o equipamento mais trocado nesses espaços, porque é o que mais cai no chão, o que mais sofre com uso pesado e o que mais some.
Atenção para não criar expectativa errada
Aqui vale ser honesto com quem lê, porque a manchete pode gerar ilusão.
Tarifa zero na importação não é desconto automático na loja. O preço que chega à prateleira ainda depende da cotação do dólar, do estoque que já está no país e que foi comprado com a regra antiga, do frete e da margem de quem vende. A conta melhora, mas não vira mágica da noite para o dia.
Outro ponto: teclado e bateria não estão na lista. Ela abrange cordas e sopros, mais os microfones. As igrejas que estão planejando trocar a bateria não serão alcançadas por essa medida específica.
O que muda de verdade
A mudança mais concreta não é o tamanho do corte, e sim o tipo dele. A redução passou a ser definitiva e sem limite de quantidade. Antes, existia um corte provisório e limitado por cotas, ou seja, valia até certo volume e tinha prazo para acabar.
Para quem importa, isso é o que mais importa. Regra estável permite planejar compra, negociar volume maior e trabalhar com preço previsível. É esse tipo de previsibilidade que, com o tempo, costuma chegar à ponta.
A medida foi adotada pelo governo federal, pela Resolução 926/2026 do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, implementando decisão tomada no âmbito do Mercosul. Junto com os instrumentos, as máquinas de costura de uso doméstico também tiveram a tarifa zerada, saindo de 20%.
Anote o preço agora e espere a Black Friday
Vale tanto para a igreja que está juntando dinheiro para renovar o som quanto para o músico que está economizando para trocar o próprio instrumento. A dica é a mesma e é prática: anote hoje o preço do que você quer comprar, com modelo e loja, e guarde esse papel.
O momento mais provável de a conta fechar melhor é a Black Friday, que neste ano cai em 27 de novembro. Até lá, as lojas já terão reposto boa parte do estoque sob a regra nova, e aí a redução da tarifa tem chance real de aparecer na etiqueta.
E é justamente por isso que anotar agora importa: com o preço de hoje na mão, você consegue saber se o desconto de novembro é verdadeiro ou se é aquele valor inflado na véspera para parecer promoção.
Vale também olhar o mercado de usados, que costuma reagir quando o preço do novo se mexe, e pedir orçamento em mais de uma loja, o que em compra de som costuma render mais desconto do que qualquer mudança de tarifa.
E quem vende instrumento na cidade acabou de ganhar um argumento novo de venda. Quem explicar bem essa mudança para o cliente, e repassar o que der para repassar, sai na frente.
Fonte: Agência Brasil e Resolução 926/2026 do Gecex/Camex