Discussão entre ex-vereadora e presidente da Câmara transforma sessão em bate-boca
Troca de acusações sobre legislaturas passadas tomou a tribuna durante a votação de um projeto contra a violência política à mulher — e continua em vídeos nas redes.
A 23ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Álvares Machado, realizada em 3 de agosto, terminou em confusão. Durante a votação de um projeto de lei sobre enfrentamento à violência política contra a mulher, a ex-vereadora Lê do Projeto pediu o uso da tribuna e, no lugar de tratar da proposta, passou a cobrar episódios de legislaturas anteriores, dirigindo ao presidente da Casa, o vereador Joel Nunes, acusações sobre votações do passado.
Joel Nunes usou a palavra em seguida para se defender. Mas não parou na defesa: devolveu as acusações à ex-vereadora. A partir daí, o tom escapou do controle. A gravação da sessão, publicada pela própria Câmara, registra os gritos da discussão entre os dois.
O projeto que estava em pauta é o PLO 9/2026, do vereador Michael Rodrigues, que institui a Política Municipal de Prevenção e Combate à Violência Política contra a Mulher no município. A proposta nasceu de uma sugestão da própria ex-vereadora, levada adiante pelo parlamentar, e foi aprovada pelo plenário. A discussão que se instalou na sessão não tinha relação com o conteúdo dela.
Encerrada a sessão, a briga não terminou. Os dois seguem trocando acusações em vídeos publicados nas redes sociais, levando para o ambiente digital um desentendimento que começou no plenário.
A Câmara é a casa onde se decide o orçamento, os serviços e as prioridades de Álvares Machado. Cada sessão é tempo público, pago pelo contribuinte, e o regimento existe justamente para que o debate aconteça dentro de regras — inclusive as de decoro. A tribuna é o lugar mais alto do debate municipal: quem sobe nela fala em nome de uma cidade inteira, não de uma desavença pessoal.
Quando esse tempo é ocupado por acerto de contas de legislaturas passadas, o que fica de fora da pauta é o presente: saúde, estradas, geração de renda, educação. São cerca de 25 mil pessoas esperando decisões sobre a vida delas, não sobre quem votou o quê há quatro anos.
Há ainda o contexto em que tudo aconteceu. O episódio se deu durante a votação de um projeto que trata exatamente das condições para que mulheres exerçam mandato e ocupem o espaço público sem virarem alvo de ataques. Aprovada a proposta no plenário, o desentendimento migrou para a internet — onde o debate público raramente melhora de tom. Cabe ao leitor assistir aos vídeos e avaliar por conta própria o que cada lado tem dito.
Vale registrar, também, que a proposta sobre violência política contra a mulher foi protocolada por um vereador homem, num plenário que conta com vereadoras mulheres. Não é demérito de ninguém — mas diz algo sobre quem tem puxado esse debate na política local.
Ficam as perguntas para as próximas sessões. Alguma vereadora vai se posicionar publicamente sobre o tom que a discussão assumiu dentro e fora do plenário? A Mesa Diretora vai adotar alguma providência regimental sobre o uso da tribuna e o decoro nas sessões? E, principalmente: a próxima sessão vai discutir o futuro de Álvares Machado ou continuar acertando contas com o passado?
O espaço do Notícias Machadenses está aberto a todos os citados para manifestação.
Fonte: Camara Municipal de Alvares Machado
