Quedas de energia sobem a partir de maio e a Energisa não responde, apontam dados da ANEEL
Indicadores oficiais da própria distribuidora apontam que a duração e a frequência das interrupções em Álvares Machado dispararam a partir de maio de 2026, por falhas na rede da empresa. Procurada, a Energisa não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Os moradores de Álvares Machado que sentiram a luz faltar mais vezes nos últimos meses têm agora um respaldo em números. Os indicadores de continuidade do fornecimento — medidos e informados pela própria Energisa Sul-Sudeste à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) — mostram um salto nas quedas de energia no município a partir de maio de 2026, quando as interrupções dispararam e, na percepção de quem vive na cidade, não voltaram ao patamar de antes.
Segundo os dados da ANEEL para o conjunto elétrico de Álvares Machado, maio foi o pior mês do primeiro semestre. A duração média das interrupções por consumidor (DEC) chegou a cerca de 0,68 hora — perto de 41 minutos —, a maior do semestre e quase o dobro da média dos outros meses. A frequência (FEC) subiu para cerca de 0,52 interrupção por consumidor, mais que o dobro da média registrada nos demais meses.
Esse pico não veio de desligamentos programados — aqueles avisados com antecedência para manutenção. No próprio gráfico da ANEEL, quase todo o aumento de maio está concentrado em uma categoria de falha de origem interna e não programada: problemas que nasceram dentro da rede operada pela Energisa e que não foram previamente comunicados aos consumidores.
O que são esses indicadores
A ANEEL acompanha a qualidade do fornecimento por dois índices principais. O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) mede, em horas, quanto tempo em média cada consumidor de uma região ficou sem energia num período. Já o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) mede quantas vezes, em média, faltou luz. Para cada um deles, a agência define um limite que a distribuidora é obrigada a respeitar.
O que isso significa para quem mora na cidade
Além dos números coletivos, cada consumidor tem indicadores individuais — o DIC e o FIC — que aparecem na conta de luz. Quando esses limites individuais são ultrapassados, a distribuidora é obrigada a compensar o cliente automaticamente na fatura. Quem enfrentou quedas seguidas pode conferir esses campos na conta e, se identificar valores acima do limite, cobrar o ressarcimento. Consumidores que tiveram equipamentos danificados por oscilações também podem pedir indenização à empresa.
O outro lado
O Notícias Machadenses procurou a assessoria de imprensa da Energisa Sul-Sudeste no dia 16 de agosto, por e-mail, com cinco perguntas sobre as causas do aumento das quedas, as medidas para evitar a recorrência e os investimentos previstos para a rede local. Até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia respondido. O espaço segue aberto para manifestação, que será publicada assim que enviada.
Quem quiser registrar reclamações sobre o fornecimento pode acionar a Energisa pelos canais de atendimento (WhatsApp/Gisa e Call Center 0800 701 0326) e guardar o número de protocolo. Persistindo o problema, o consumidor pode recorrer à ANEEL, órgão federal que fiscaliza a distribuição, e à ARSESP, agência reguladora do Estado de São Paulo.
Nota da Redação
Os dados mostram que o serviço piorou, e a Energisa não respondeu a perguntas simples sobre o assunto. Diante disso, o Notícias Machadenses defende que o poder público assuma a cobrança: que a Câmara e a Prefeitura acionem formalmente a distribuidora — por requerimento ou ofício — exigindo explicações sobre as causas das quedas e um cronograma de melhorias na rede. Quem paga a conta em dia tem direito a um fornecimento confiável e a respostas claras, e cabe aos vereadores e ao Executivo cobrar isso pela cidade.
Fonte: ANEEL