Agências bancárias fecham pelo país; projeto na Alesp mira proteger empregos e o atendimento nas cidades pequenas de SP
Enquanto o Bradesco fecha agências pelo país, a presença de folha de pagamento de serviços públicos e de grandes empresas ajuda a segurar o atendimento nas cidades pequenas. O PL 548/2026, do deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), quer transformar essa proteção em lei.
Talvez você tenha visto a notícia circulando: o Bradesco fechou 324 agências no país e cortou cerca de 2.448 postos de trabalho em um ano — 868 apenas no segundo trimestre de 2026 —, mesmo tendo registrado lucro líquido de R$ 13,8 bilhões no primeiro semestre, segundo levantamento do Sindicato dos Bancários. Com isso, muitos portais passaram a alardear um risco de fechamento nas cidades pequenas. Aqui, a gente prefere olhar o outro lado: o que, na prática, tende a manter o acesso ao banco na nossa cidade — e o trabalho que existe para garantir isso.
O que está acontecendo no país
O movimento não é exclusivo de uma cidade nem de uma região. Segundo os sindicatos, o banco tem encerrado agências presenciais em várias partes do país, e o argumento da instituição é o avanço digital. O Bradesco nega a existência de um programa de demissão em massa, afirma que prioriza a realocação de funcionários e diz que a mudança acompanha o comportamento dos clientes — 98% das operações já são feitas por canais digitais. Segundo o banco, os correntistas não ficam desassistidos, pois podem usar agências de cidades vizinhas, os correspondentes da rede Bradesco Expresso e os aplicativos.
O que ajuda a segurar a agência
Na região de Presidente Prudente, a maioria dos municípios tem menos de 50 mil habitantes — o porte que os sindicatos apontam como mais exposto ao fechamento. Mas há um fator que costuma pesar a favor: a presença de folha de pagamento na cidade, seja de serviços públicos, seja de grandes empresas. É esse volume de movimentação que dá musculatura econômica à agência e ajuda a mantê-la de portas abertas.
Não se trata de uma garantia absoluta. A proteção existe enquanto houver esse peso econômico: perder um grande empregador ou o contrato de administração da folha é justamente o que colocaria o atendimento presencial em risco. Por isso, mais do que torcer, vale acompanhar — e cobrar que esse movimento seja preservado.
Um projeto que quer virar lei
É nesse ponto que entra o trabalho de quem legisla. Tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) o Projeto de Lei nº 548/2026, do deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), que estabelece contrapartidas para as instituições financeiras contratadas pelo poder público estadual.
Na prática, o projeto condiciona os contratos públicos — como a administração da folha de pagamento de servidores, a arrecadação de tributos, os empréstimos consignados e a operação de programas de crédito — à manutenção do quadro de empregados e do atendimento presencial. Pela proposta, o banco que quiser manter esses contratos fica obrigado a preservar empregos, com base nas médias dos últimos anos, e a manter agência para atendimento presencial em todos os municípios do estado (nas cidades com menos de 10 mil habitantes, um posto de atendimento pode substituir a agência).
A justificativa do projeto é direta: “Quem presta serviço público, ainda que sob forma privada e mediante contrato, assume o dever de servir e não apenas de lucrar.” O texto lembra que a agência bancária, para idosos, pessoas sem acesso à internet e moradores de municípios pequenos, muitas vezes é a única porta de entrada para o exercício de direitos — e que a sociedade, que ajudou a sustentar o sistema financeiro, tem direito ao serviço.
Onde isso nos coloca
Enquanto parte da imprensa anuncia o pior, o quadro por aqui tende a ser mais tranquilo: o acesso ao banco na nossa cidade se sustenta na força econômica local e pode ganhar uma camada extra de proteção se o projeto avançar na Alesp. O Notícias Machadenses vai acompanhar a tramitação e o cenário das agências na região — porque manter o atendimento presencial é, no fim das contas, garantir cidadania para quem mais depende dele.
Fonte: Sindicato dos Bancários e Alesp