Exposição de alunas na maior universidade da região preocupa quem depende de Prudente para estudar
Um grupo de estudantes da Unoeste, em Presidente Prudente, montou um “ranking” que expôs colegas de sala sem consentimento. A universidade abriu apuração e a Polícia Civil investiga. Uma estudante de Álvares Machado fala sobre a segurança de quem sai da cidade para estudar fora.
A maior universidade da região, que forma boa parte da juventude de Álvares Machado, virou palco de um caso de violência de gênero. Um grupo de estudantes da Unoeste, em Presidente Prudente, criou um “ranking” que classificava colegas de sala por características de sensualidade, usando fotos das estudantes retiradas sem autorização de perfis públicos nas redes sociais. O material circulou em um grupo privado de aplicativo de mensagens.
O episódio ganhou repercussão na região e levantou uma discussão que vai além dos muros do campus: a de que parte dos jovens machadenses depende de Presidente Prudente para estudar — e a de que a segurança dessas estudantes precisa ser tratada também como uma questão da nossa cidade.
A investigação
A denúncia foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. A Polícia Civil confirmou a abertura de investigação e informou que o caso está em fase inicial. Até o momento, não há pessoas indiciadas. O inquérito deve buscar identificar quem criou o “ranking”, quem participou de sua elaboração e quem compartilhou o conteúdo.
O que diz a Unoeste
Em nota, a Unoeste informou que tomou conhecimento do caso e determinou a abertura de procedimento interno para apuração dos fatos. A universidade afirma que “repudia qualquer forma de exposição, constrangimento, assédio ou desrespeito à dignidade” de integrantes de sua comunidade acadêmica e que acolhe as pessoas envolvidas. A instituição diz ainda reforçar o compromisso com “um ambiente universitário pautado pelo respeito, pela ética e pela segurança”.
“A gente olha para esse espaço com mais cautela”
Para entender o efeito do caso sobre quem sai de Álvares Machado para estudar, o Notícias Machadenses conversou com Amanda Guedes, estudante do 4º termo de Biomedicina na Unoeste e moradora da cidade.
Sobre a rotina de estudar fora e o que mudou depois do caso, ela conta: “A rotina de sair de Álvares Machado para estudar em Presidente Prudente já envolve preocupação com horários, deslocamento e segurança, e, como mulher, essas preocupações vão muito além. Depois desse caso, essa preocupação ganhou uma dimensão diferente. Quando mulheres dentro do próprio ambiente acadêmico são colocadas em situação de exposição e objetificação, você olha para esse espaço com mais cautela. A resposta da universidade deveria ser rigorosa, garantindo que o espaço acadêmico seja um ambiente de segurança para aprender, e não um lugar onde precisamos pensar se estamos sendo observadas, julgadas ou sexualizadas.”
Sobre se sentir segura no processo de se formar: “Segurança precisa ser entendida de uma maneira muito mais ampla. Não é só chegar e voltar para casa sem sofrer violência física; é também frequentar uma sala de aula sem medo de passar por esse tipo de situação. A preocupação de uma universitária deveria ser sair de casa, estudar e voltar pensando apenas na sua formação, e não em estratégias para se proteger. Um ambiente acadêmico verdadeiramente seguro precisa ter mecanismos claros para prevenir, acolher e responsabilizar. Por isso é importante um posicionamento claro da universidade sobre quais medidas serão tomadas.”
E sobre o que a cidade poderia fazer: “Álvares Machado deve entender que muitos jovens da cidade dependem de Presidente Prudente para estudar, trabalhar e construir independência. Então, a segurança de quem estuda fora também deveria ser uma preocupação da comunidade e do poder público. Além de um transporte seguro e de segurança nos pontos de embarque e desembarque, é importante criar espaços de escuta e orientação para estudantes que passem por situações de assédio ou violência. E, além da segurança física, Machado pode contribuir para uma cultura de respeito, com educação e conscientização sobre violência contra a mulher. Não adianta apenas ensinar uma mulher a se proteger; precisamos ensinar toda a sociedade a não violentá-la.”
Onde denunciar
Casos de violência e assédio contra a mulher podem ser denunciados pela Central de Atendimento à Mulher — Disque 180, gratuita, sigilosa e disponível 24 horas, de qualquer cidade. Para registrar ocorrência presencialmente, a referência da região é a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente — Álvares Machado não conta com uma Delegacia da Mulher, o que faz com que as machadenses precisem recorrer à unidade de Prudente ou à delegacia local. Em situações de emergência, o telefone é o 190.
Fonte: Redação