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Um machadense no topo do Monte Fuji

João Pedro Nigre Catucci, 30 anos, publicitário nascido em Álvares Machado, mora uma temporada no Japão e escalou o Monte Fuji. A história de quem cresceu cercado pela herança japonesa da cidade e foi pôr os pés no maior símbolo do país.

Redação Notícias Machadenses Atualizado em 4 de setembro de 2026, 09:51
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Um machadense no topo do Monte Fuji
Foto: Arquivo pessoal

Tem machadense fazendo história longe de casa. João Pedro Nigre Catucci, 30 anos, publicitário, está morando uma temporada no Japão — passou a maior parte do tempo em Toyohashi e hoje vive em Toyama — e realizou um feito e tanto: escalou o Monte Fuji, a montanha mais alta e mais simbólica do país. Em entrevista ao Notícias Machadenses, ele contou como foi essa aventura e o que significou, para um filho de uma cidade de raiz japonesa, chegar até ali.

Uma herança que ganhou novo sentido

Álvares Machado tem uma ligação profunda com a cultura japonesa: é a única cidade da América Latina a ter um cemitério exclusivamente japonês e sede do tradicional Shokonssai, que atrai imigrantes e descendentes de todo o Brasil. João cresceu cercado por isso. “Como moramos numa região onde há muitos japoneses, ver essas vivências me soava familiar. Tenho primos descendentes de japoneses”, conta. Foi a namorada, Camila, quem despertou nele a vontade de conhecer o país. “Depois de morar aqui por quatro anos e ter contato direto com eles, passei a ter outra visão do Japão, da cultura e do povo japonês. São muito regrados, muito focados, ligam muito para o coletivo — bem diferente do Brasil.”

João numa das trilhas do Fuji, com o vale e as cidades japonesas lá embaixo. (Arquivo pessoal)
João numa das trilhas do Fuji, com o vale e as cidades japonesas lá embaixo. (Arquivo pessoal)

“Você nunca se acostuma com o Fuji”

A decisão de escalar veio do próprio encanto com a montanha. “Estando no Japão, você nunca se acostuma com o Fuji. Quando você vê, sempre parece a primeira vez”, diz. Como estava prestes a voltar ao Brasil, sem saber se ou quando retornaria, ele sentiu que não podia deixar de viver aquilo. Um empurrão veio da cunhada, Audrey, que havia tentado o cume no ano anterior e chegado muito perto. “Quando ela disse que queria tentar de novo, isso me motivou de vez.” Sobre o tamanho da emoção, ele resume com bom humor: “Foi o segundo melhor dia da minha vida — o primeiro foi o show da Lady Gaga, não tem jeito.”

No caminho, um arco-íris sobre o vale — entre calor, frio, vento e chuva. (Arquivo pessoal)
No caminho, um arco-íris sobre o vale — entre calor, frio, vento e chuva. (Arquivo pessoal)
A subida é íngreme e, em muitos trechos, é preciso literalmente escalar pedras usando correntes. (Arquivo pessoal)
A subida é íngreme e, em muitos trechos, é preciso literalmente escalar pedras usando correntes. (Arquivo pessoal)

A subida, na real

João não romantiza o esforço. “A subida foi uma doideira. Você assiste aos vídeos e já se assusta, mas é muito mais do que aquilo. É muito íngreme e, em muitas partes, você tem que literalmente escalar pedras.” O preparo físico fez diferença: ele corria todos os dias havia três meses, e por isso a subida foi mais tranquila para ele do que para os companheiros. Por causa da altitude, o grupo usou latas de oxigênio para inalar. “A descida é a pior parte: o terreno é arenoso, você derrapa o tempo inteiro, faz muito frio, é de madrugada e você ainda escala pedras com uma lanterna na cabeça.”

Acima das nuvens, com o bastão tradicional dos escaladores do Fuji na mão. (Arquivo pessoal)
Acima das nuvens, com o bastão tradicional dos escaladores do Fuji na mão. (Arquivo pessoal)

No topo, acima das nuvens

A recompensa veio lá em cima. “A parte mais emocionante é estar acima das nuvens e ver o sol nascendo sobre elas. Você se sente muito pequeno. É uma experiência surreal”, descreve. Para João, o feito carrega um simbolismo especial: um machadense que cresceu rodeado pela cultura nipônica indo pôr os pés no maior símbolo dessa herança. “Sinto uma gratidão muito grande por ter vivido num lugar com muita cultura japonesa, o que abriu portas para viver tudo isso. Saber que vim de um lugar muito pequeno e cheguei a viver experiências tão marcantes quanto o Fuji é muito gratificante.”

Acima das nuvens, ver o sol nascer foi, para ele, a parte mais emocionante da aventura. (Arquivo pessoal)
Acima das nuvens, ver o sol nascer foi, para ele, a parte mais emocionante da aventura. (Arquivo pessoal)

Um recado para quem sonha em sair pelo mundo

Para fechar, João deixou um conselho a quem é de Machado e tem medo de dar o primeiro passo. “Às vezes a gente precisa fazer certos sacrifícios na vida para viver certos momentos. Em vez de valorizar tanto o material, é bom valorizar as experiências. Ir para outro país é muito transformador: você passa a ter noção do quanto o mundo é enorme e conhece pessoas do mundo inteiro.” E conclui: “As pessoas têm que ter coragem, sim. Arriscar, viver. Vai valer a pena.”

Fonte: Entrevista ao Notícias Machadenses

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