Gente Daqui: Gabriella Suniga fez de adoçar a vida a própria profissão com o Clube da Mimosa
Arquiteta de formação, ela achou na cozinha uma renda extra que virou paixão, criou a marca de doces Clube da Mimosa e fala da coragem de empreender numa cidade pequena.
Nesta edição da coluna Gente Daqui, a gente conversou com Gabriella Suniga, arquiteta que encontrou na cozinha uma nova paixão e criou o Clube da Mimosa, marca de doces de Álvares Machado. Começou como renda extra — teve a ideia num dia, fez os bolos no outro e vendeu no seguinte — e virou profissão. Intolerante à lactose, ela transformou isso na brincadeira dos “doces com muita lactose” e levou o olhar estético da arquitetura para a identidade da marca. Nesta entrevista, ela fala da virada de carreira, da coragem de empreender no interior e do conselho para quem tem uma ideia na cabeça e medo de começar.
Você era arquiteta e hoje vive de doce — como foi essa virada? Teve um momento de “é isso que eu quero fazer” ou foi acontecendo?
Sempre gostei de cozinhar, mas nunca tinha imaginado viver disso. Eu estava procurando uma renda extra, tive a ideia em um dia, no outro fiz os bolos e, no dia seguinte, vendi. E, de lá pra cá, foi acontecendo. Ainda trabalho com arquitetura, mas minha hora favorita do dia quase sempre envolve uma panela.
De onde veio o nome Clube da Mimosa? Me conta essa história do leite em tudo.
Sou intolerante à lactose, e isso nunca me impediu de comer doces — muito pelo contrário. Então veio a Mimosa e, junto com ela, a ideia dos nossos “doces com muita lactose”. É uma brincadeira com uma coisa que faz parte da minha vida e que acabou virando parte da personalidade da marca.
Largar uma profissão “certinha” pra empreender com doce assusta muita gente. O que te deu coragem pra ousar?
Não é fácil “rasgar o diploma”, ir para uma área completamente diferente e começar a estudar tudo de novo. Mas esse movimento realmente me fez bem. Acho que foi isso que me deu coragem para continuar: perceber que, mesmo sendo uma mudança grande, eu estava gostando do caminho.
Como é ser mulher, jovem e empreendedora numa cidade pequena? Você sente que te levam a sério ou tem que provar mais?
Acho que ter uma boa rede de apoio faz muita diferença. E, vindo da área da construção, que é um ambiente que pode ser bem masculino, eu já estou acostumada. Então, até aqui, não tenho nada a reclamar.
Tem alguma coisa da sua cabeça de arquiteta que você acabou levando pro mundo dos doces sem querer?
Com certeza. Foi acontecendo sem eu perceber, mas acredito que a estética da Mimosa é um dos pontos fortes da marca, e isso veio muito da arquitetura. Desde a estrutura do nosso celeiro, a identidade visual, as campanhas e até as embalagens, existe um olhar estético que foi construído com a experiência como arquiteta.
Qual foi o perrengue mais real que você já passou tocando o Clube da Mimosa? E a maior alegria?
Acho que o pior, e também o mais engraçado, foi o dia em que a estrutura de tecido estava toda montada e, de repente, caiu uma senhora chuva, sem aviso. Tivemos que ficar segurando a estrutura para ela não quebrar e simplesmente aceitar a chuva. Ficamos completamente encharcados e fomos embora antes mesmo de a feira começar. A maior alegria, até agora, foi servir café no Shokonsai. Eu não esperava que as pessoas fossem comprar tão rápido a ideia do café gourmet, e vendeu muito mais do que eu imaginava. Foi uma grata surpresa e me mostrou que existia espaço para aquilo.
Pra fechar: o que você falaria pra outra menina nova, aí de Machado, que tem uma ideia na cabeça mas tá com medo de começar?
Só vai. Não pensa demais. Para empreender, você precisa estudar, claro, mas precisa ainda mais de coragem. Começa, coloca a ideia para funcionar e vai ajustando no caminho. Acho que esperar tudo ficar perfeito antes de começar é uma das coisas que mais atrasa a gente.